Por que choro?

emotion-1465151_640Por que choro? Choro porque estou farta. Farta de tanta injustiça, farta da maldade humana. Farta da crueldade que assola nossas vidas, invade nossas casas, maltrata nossas crianças. Então transbordo! Choro quando vejo uma criança agredida, relegada, morta. Inocentes! Ricos anjos de tenra idade já sofrendo nessa vida dura. Choro porque sou mãe e ser mãe dói. Quando vejo uma mãe chorar a morte do seu filho, eu choro junto. Espécie de empatia entre mães. Não fico indiferente. Não consigo ficar. Não importa quem seja o filho, qual sua condição. Choro quando me coloco no lugar delas, desasadas de seus pintinhos. Pobres criaturas que passam a viver por mera insistência. Choro porque no meu peito bate um coração de mãe. E um coração de mãe sempre será solidário ao coração de outra mãe. Porque amor por filho é coisa sem medida. É coisa sem explicação. É coisa que não pertence a esse mundo bandido. É amor demais para passar despercebido. É amor que dói. E por isso choro. Choro porque a maldade me fere mesmo que não me atinja. Eu, na minha pequenez, não sou capaz compreendê-la, de perdoá-la. Estou farta! E apesar de farta, a vida não me faz dura. Ao revés, me faz mole. De coração mole. Mole e teimosa, porque apesar do choro continuo a acreditar na vida. E então choro. Choro porque estou farta. Choro porque sou sensível. Choro porque sou solidária. Choro porque sou mãe. Choro porque resisto.

A (in)tolerância religiosa

hands-1445472_640Na época dos tribunais de inquisição medievais, a Igreja Católica, a pretexto de eliminar os supostos hereges e feiticeiros, condenava os assim considerados à fogueira. Pessoas foram queimadas vivas publicamente apenas por expressarem um pensamento diferente daquele desejado pela instituição. Sem entrar no mérito, tais atos foram cometidos em uma época obscura da humanidade e pertencem a um capítulo da história que ninguém quer lembrar. Pois bem, há alguns dias, na Nicarágua, uma mulher foi lançada em uma fogueira com os pés e mãos amarrados a pretexto de expulsar o demônio que a estava possuindo. Uma suposta revelação divina fez com que a nicaraguense fosse atirada às chamas em pleno ano de 2017 pelo pastor da igreja evangélica a qual a jovem frequentava. Esse episódio triste revela o quão atrasados estamos no quesito humanidade. Somos, em essência, iguais ao homem de 1200, apenas um pouco melhor vestidos. Ao ter conhecimento de uma notícia tão tenebrosa quanto essa, percebo que não evoluímos nada nos últimos 800 anos. Estamos vivendo tempos de fundamentalismo religioso e de intolerância à fé alheia. Mesmo quem não tem fé alguma é criticado, difamado e atacado. Ou seja: atrocidades continuam sendo cometidas em nome de Deus. Atentados terroristas de cunho religioso amedrontam nações inteiras, as quais vão se fechando para o mundo. A tal ponto de etnias serem proibidas de ingressar em países por causa da sua religião dominante. A paz entre as nações é uma utopia cada dia mais distante e atrevo-me a dizer que caminhamos para mais uma guerra de proporções mundiais. Lamentavelmente, enquanto não houver respeito ao outro não haverá paz entre as nações. Não haverá paz entre as pessoas. A história nos mostra que todo ato de crueldade está, na verdade, a acobertar grandes fraquezas do ser humano. Assim, precisamos mudar as atitudes opressoras. E a mudança, amigo, deve começar por você, nas suas relações pessoais. Comece respeitando o pensamento diferente de um filho ou irmão, a escolha de um cunhado. Não julgue, não emita opinião depreciativa, não critique. Simplesmente aceite. O respeito é como jogar cinzas ao vento: espalha, contamina, voa longe… Respeite para ser respeitado. Não acredite tão cegamente naquilo que você pensa, pois nem tudo é verdadeiro. Então faça sua parte: atire respeito no ventilador! Seja um ser humano diferenciado, um ser humano realmente HUMANO. Mostre ao mundo que existe espaço para as diferenças. Afinal, são as diferenças que dão graça à vida. Não tenha vergonha de expor a sua fé (ou mesmo a falta dela). Agarre-se àquilo em que acredita. Defenda suas ideias. Mas não subestime o outro que não pensa como você. Seja tolerante e viverá bem. Traga luz para esses tempos escuros!

Vida

Chegou ao fim da vida com a vida ganha. Olhou para trás e viu que deixou de viver a vida. Puxa vida! Tentou correr para viver o restinho, mas em vão. Cansado da vida, desistiu. Entendeu que a vida havia passado. Restava-lhe pouco tempo de vida. E o dia do fim não demorou a chegar. Dia cinza e sem vida. Aqui jaz Alguém que existiu mas não viveu. Triste fim! Triste vida levou aquele que ganhou a vida mas não soube viver.

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Enxame

honey-bees-326334_640De repente, ao cair da noite, umas 6 ou 7 crianças pequenas invadiram minha varanda para brincar com meu filho. Imediatamente sentaram-se no chão e começaram a falar, todas ao mesmo tempo. Somaram seus brinquedos aos já existentes e, nessa altura, eu já tinha perdido o controle sobre elas e sobre a minha casa. Era um blá-blá-blá intermitente! Um vizinho passou na calçada e, vendo aquele grupo agitado, falou: Boa noite! Estou vendo que um enxame de crianças invadiu a sua casa… Eu respondi com um sorriso e pensei o quão adequada era aquela palavra: enxame. Os minutos foram passando e aquele zumbido incessante dominava o ambiente. Achei que não terminaria nunca mais! Pensei que talvez pudesse servir como tática de guerra: uma espécie de tortura aos inimigos. Como ninguém pensou nisso antes? E desse modo a bagunça perdurava, até que, enfim, as mães começaram a chamar para o jantar. Santas! Aquelas crianças levantaram com rapidez e debandaram tal qual uma nuvem de gafanhotos, deixando os brinquedos espalhados por todo canto como se fossem restos de uma festa. E, naquele instante, o silêncio voltou! Ah, o silêncio… Música para meus ouvidos! Restou apenas uma criança: a minha. Então recolhemos os destroços pelo chão e entramos em casa. Afinal, o dia havia acabado. Olhei para meu filho e ele estava cansado. Porém, sorrindo. E eu, ainda tonta, respirei fundo e acabei me dando por satisfeita. Afinal, aquelas eram crianças felizes. Que privilégio, pensei. Um enxame na minha varanda. Um furacão de alegria, pureza e amor. Que bela forma de encerrar um dia!

Doces recordações

bubble-19329_640Na semana passada eu comprei um abacaxi verde. Coloquei na cozinha, em meio a outras frutas, na expectativa de vê-lo maturar. Esperei. Todos os dias chegava nele e dava uma conferida! Até que ontem senti um cheiro adocicado pela manhã. Pensei: é hoje! É hoje que eu te pego! Dito e feito: descasquei o abacaxi. Enquanto eu ia despindo a fruta, um aroma doce subia. Um aroma que de uma maneira incrivelmente rápida me levou para a infância, para praia. Lembrei do meu avô, que gostava da fruta. Lembrei da gente juntos, comendo abacaxi nas tardes quentes de verão. Aquela polpa suculenta que de tanto açúcar fazia grudar as mãos, o rosto, a boca. E eu, ainda criança, sujava a minha roupa enquanto ele, sempre bem humorado, fazia graça. Ah… boas recordações! E em meio a elas terminei de tirar a casca do abacaxi. Voltei para a realidade pois chegava a hora de comer. Ansiosa por abocanhar um pedaço daquele fruto amarelo e cheiroso… fui: nhac! Ácido. O abacaxi era ácido. Quanta decepção… Ainda frustrada, dei uma rebolada e fiz um suco, que ficou muito bom. Pois é, amigos… Acho que saí ganhando dessa vez. Além da bebida refrescante, a experiência me fez recordar lindos momentos. Fiquei satisfeita! Guardei com amor as memórias que me vieram à mente. Na verdade, o abacaxi, fosse qual fosse, seria sempre ácido, pois doces mesmo foram as recordações vividas naqueles instantes.

A crise dos 40 anos

time-1485384_640Menininhas do antigamente escreviam em seus diários para contar, em segredo, seus amores juvenis. E eu, na plenitude dos meus 40 anos, estou fazendo uso da mesma técnica. Todos os dias eu venho aqui, nesse espaço em branco, aberto a um mundo de leitores, para escrever coisas de amor. Mentira! É para desabafar mesmo… Um desabafo que nada tem a ver com aventuras da juventude. É uma espécie de necessidade vir aqui escrever. Após um período de reflexão sobre a vida, olhando para dentro em busca de auto conhecimento, descobri que essa tal necessidade é um processo pelo qual todos passamos. Um período (tenso) que ronda a idade dos 40. A famosa crise! Sabe-se que a juventude é marcada pelos sonhos e devaneios mais loucos. É nela que a vida se mostra algo assim: você pode ser e fazer o que sonhar, pois tudo é possível. E você vai acreditando nisso despreocupadamente. Vai levando a vida, afinal você tem tempo pois é jovem! Até que num belo dia… Vupt: você chega aos “quarentinha”. Você olha para trás e se dá conta de que muitos dos seus projetos de vida não saíram do papel. Estão lá, no passado, pendurados e sem execução. Bate o desespero: você planejou sua vida como sendo uma reta, porém ganhou de presente uma solenoide (ou uma espiral, se preferir). Você começa a pensar! E a pensar… Pensar sem parar. Acha que ainda não se encontrou profissionalmente e está diante da última oportunidade de dar uma guinada na sua vida. Ou, então, que você está muito… passado (para não dizer velho) para fazer aquele curso desejado no exterior, acalentado desde a faculdade. Você também pode pensar: não me casei, não tive filhos, não comprei uma Ferrari, não visitei o Azerbaijão… E agora? Agora o tempo passou, meu amigo! Fim da linha: o sonho acabou. Você reluta, mas acaba por aceitar que aquilo que não aconteceu até os 40 não vai mais acontecer. Parece que seus sonhos morreram junto com a juventude… E é nesse instante que você, que já é macaco velho no calendário da vida, deixa de ser aquela menininha sonhadora do diário (ou o super cavaleiro do apocalipse que tudo pode) e cai na real. Fica na maior deprê! Você pensa nos seus planos incompletos de vida… E questiona o sentido da sua existência: mas afinal de contas, para que raios vim para a Terra??? Espere, pare, respire fundo. Vá com calma! Você fez coisas, certamente, muito louváveis. Muitos de seus sonhos e objetivos foram atingidos. Aliás, a maioria deles você concretizou! Mas olha que engraçado: aqueles poucos não realizados são lembrados por você a todo instante. E ferem feito facas! Já os conquistados… Ah… Esses não são sequer lembrados ou mesmo valorizados! E isso é um grande erro. Pessoal, eu passei por tudo isso e embora já tenha completado 40 anos, confesso que ainda estou meio zonza… Na verdade, esse processo nada mais é do que um período de ajustes para vivermos a segunda metade da vida. É preciso estar preparado, pois é nesse ponto da caminhada que nosso game muda de fase. Só que para isso, precisamos enfrentar o chefão. E que chefão! Quer saber o nome dele? Ele se chama VOCÊ. Ficou bege? Pois é… Eu também! Mas pense por outro lado: uma vez ciente de que você é seu maior rival, fica mais fácil ir adiante e encarar a nova etapa. Então, deixe aqueles sonhos não realizados numa espécie de ícone em sua mente. Não é preciso mandá-los para a lixeira! Basta deixá-los ali, guardados. Ora, pessoal… A vida é surpreendente! De repente as coisas se concretizam de uma maneira jamais imaginada por nós. Abra sua mente e viva sem pensar nas frustrações. Evite os sofrimentos que só existem dentro da sua cabeça! Esqueça o que os outros pensam. Escute seu coração e seja feliz com aquilo que você já tem. E siga de olhos abertos em busca daquilo que ainda não aconteceu mas que pode surgir a qualquer instante. Vai que a solenoide dá um giro completo e te deixa de frente com aquele antigo projeto, hein? Esquenta não… A vida dá voltas! Deixa ela te surpreender!

O preconceito surge na infância

baking-1951256_640Em que momento de nossas vidas nos tornamos preconceituosos? Você já parou para pensar sobre isso? Ontem observava de longe a conversa entre meu filho de três anos e um menino aparentemente da mesma idade em uma loja de artigos infantis. Ambos mexiam nos brinquedos da loja quando, em certo momento, o garotinho perguntou: “mas você é menino ou menina? Eu acho que você é menina… Você está brincando de cozinhar!” Aquela pergunta, vinda de uma criança tão pequena, me chocou. Vem cá: quem disse para ele que homens não cozinham? Aí me dei conta de que não foi exatamente isso que lhe ensinaram, mas algo ainda mais preconceituoso: que atividade doméstica é diversão de meninas, é coisa de mulher! E que menino tem que brincar de tiro, porrada e bomba! Ora… Se você acompanha as redes sociais já deve ter percebido o quão preconceituosos somos e estamos. Em plena modernidade, em que a informação está a um clique de qualquer pessoa, passamos a nossos filhos conceitos inadequados, ultrapassados e de exclusão. Teimamos em incutir na mente de seres em formação o preconceito, esse veneno que adoece a sociedade. Sim, o preconceito. Contra tudo e contra todos, mas sobretudo contra as mulheres e contra o trabalho doméstico. Como se cuidar do lar fosse uma atividade inferior relegada a seres igualmente inferiores (nós, mulheres). E assim os meninos vão perdendo a sensibilidade enquanto crescem. Afinal, homem que é homem… não chora! Que mentira! Que bobagem… Quem disse??? Querem saber, meu filho brinca de cozinhar SIM. De mentirinha e de verdade também. Deixo e incentivo que mexa nos alimentos, que se interesse pelos afazeres domésticos. Explico que ele deve sempre respeitar quem está em casa trabalhando em troca de um salário inexistente, por simples devoção e amor à família. Me preocupo com o que ensino para ele. Tomo muito cuidado para não transmitir o preconceito que um dia tive e do qual me liberto diariamente. No fundo, todos nós temos alguma dose de preconceito ferindo nossos corações. É preciso, antes de mais nada, querer flexibilizar a mente para excluir tudo aquilo que não acrescenta. Deseja um mundo melhor para seus filhos? Então comece por você, vigiando seus pensamentos. Não rotule as pessoas na frente dos pequenos. Lembre-se de que eles aprendem pelo exemplo mais do que por qualquer outro método. Relaxe! Deixe seu filho ser criança… Deixe ele sonhar que pode ser o que quiser! Preocupe-se apenas com o principal: o respeito. Se seu filho entender que deve respeitar os seres humanos pelo simples fato de serem humanos, que deve respeitar a natureza e toda a forma de vida… Ah, meu amigo, você estará de parabéns! Aquele mundo melhor que você desejava pra ele, lembra? Pois é… Você conseguiu!

Viajar com filhos pequenos

green-fields-1347097_640Existe algo melhor do que viajar? Viajar é bom demais! Eu sempre sonhei com grandes viagens, muito embora a minha carreira de viajante tenha começado bem tarde. A primeira vez que peguei um avião eu tinha 30 anos. Foi a minha primeira viagem um pouco mais distante. Dez anos depois, eu ainda conheço do mundo bem menos do que gostaria… Mesmo assim, não posso me queixar! Antes da chegada do nosso filho, meu marido e eu adorávamos nos jogar pra valer nos lugares que visitávamos. Nossas viagens eram pouco turísticas e muito culturais. Gostávamos de mergulhar na cultura das gentes, nos sabores e aromas locais, nas palavras e gestos das pessoas. Pontos turísticos nunca foram nossa preferência. Conversar em posto de gasolina e em mercado de bairro? Sim: paradas obrigatórias nas nossas andanças. Porém, com a vinda do nosso pimpolho, as viagens mudaram. Nosso ritmo diminuiu. Uma criança requer cuidados e se existe algo que aprendi viajando com meu filho é que devemos respeitar o ritmo dos pequenos. Eles têm necessidades próprias, cansam facilmente, têm sono fora de hora, fome fora de hora… Enfim, eles são pouco resistentes e é preciso ter isso bem claro para não haver frustrações. A questão é que viajar é uma espécie de doença contagiosa que arrasta você por toda vida. Não tem cura nem tratamento. Mesmo com filho pequeno, quem é viajante cativo não consegue ficar em casa. Veja você: eu demorei 30 anos para entrar em um avião. Meu filho, 5 meses. É ou não é insano? No alto dos seus três anos, o nosso viajante mirim conhece várias cidades do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, do Paraná, de São Paulo, de Mato Grosso do Sul, já esteve na Bahia, no Chile e já foi várias vezes ao Paraguai comprar muamba. Ele adora viajar! E é um excelente companheiro. Nós não deixamos de sair por ter um filho pequeno. Apenas ajustamos as viagens às necessidades dele. E assim tudo vai dando certo. Ele vai crescendo e nós amadurecendo. E em menos tempo do que pensamos, poderemos voltar ao ritmo de antigamente. Só que de uma maneira ainda mais especial: teremos um integrante a mais nas nossas aventuras mundo afora. Por isso, não deixe de sair por causa do seu filho pequeno. Inclua ele nos seus prazeres! Crianças gostam de estar com os pais, gostam de fazer parte da coisa toda. Não subestime seu filho achando que por ele ser pequeno não vai entender uma viagem, porque ele entende. Tudo! Aproveite para conhecer lugares que jamais iria se não tivesse filhos pequenos, como por exemplo: um resort, uma fazenda ou uma praia tranquila. Faça planos com ele. Peça, se possível, a sua opinião! E viaje… Lembre-se de que o tempo vai passar (logo) e seu filhote vai crescer. Então se apresse! Para longe ou para perto, não importa: faça as malas e parta. Desperte no seu filho a paixão por viajar. Pois no coração de viajantes incuráveis, não há melhor alento do que um lindo #partiu!

Quem tem filhos tem preocupação

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Preocupações, preocupações… A vida é cheia delas. Não adiante: viver é preocupar-se. Quanto mais relações você constrói, mais preocupações você arruma. E se você tem filhos, sua preocupação é dobrada! Sabe quando você pressente que seu dia vai ter preocupação? Pois é… Hoje foi assim. Ao acordar para levar meu filho à escola senti uma espécie de peso. Uma inquietação. Uma vontade de não ir… Mas contrariando meus sentimentos e privilegiando a racionalidade, saímos de casa. Ao entrar no portão do colégio avisto uma pessoa conhecida que não me agrada. Uma sensação imediata de preocupação tomou conta de mim: essa pessoa ruim está trabalhando na escola onde meu filho estuda. Essa pessoa ruim está no mesmo ambiente do meu filho. Saí de lá chateada, tensa, pensativa. Afinal, deixei meu filho de 3 anos no mesmo prédio de uma pessoa detestável, mesmo que seus caminhos não se cruzem uma única vez… Em casa, com uma xícara de café, comecei a refletir. Será que devo ficar tão preocupada com o fato do meu filho estar no mesmo local de uma pessoa má? Adianta? Não… minha preocupação não serve para protegê-lo. Me dei conta de que meu amor de mãe não vai privá-lo dos males do mundo. Minha ficha caiu: não sou capaz de proteger meu filho sempre. E aquela enorme preocupação que nós, pais, temos por nossos filhos, de repente… não serve para nada a não ser acelerar nossos próprios corações. Então relaxei um pouco. Respirei fundo. Busquei mais uma xícara de café. E concluí: é… os filhos pertencem mesmo ao mundo. Essa é uma lei natural. Os filhos crescem e passam a construir suas próprias relações de vida, ficando a cada dia mais expostos a tudo. E nós, pais, tolos, sempre preocupados com aquilo que não podemos controlar. O melhor que podemos fazer é aprender a usar a preocupação de forma construtiva. E acreditem: é possível fazer bom uso dela! A preocupação nada mais é do que uma forte intuição. Lembra do desconforto que senti pela manhã? Pois é… uma intuição. Um alerta para ter atenção. Quando estamos atentos podemos evitar muitos males! Esse deve ser o propósito da preocupação. De nada adianta ficar estressado e com taquicardia. Então, sempre que você se sentir preocupado com algo, seja lá o que for, preste atenção ao seu dia. O seu inconsciente está gritando para você que pode haver perigo logo adiante. E se você estiver atento, talvez consiga evitar um mal maior. Eu notifiquei a direção da escola a respeito da funcionária ruim e as devidas providências serão tomadas. Já não me sinto mais tão preocupada. Mas sigo de olhos bem abertos, pois quem tem filhos sabe: a preocupação é pro resto da vida!