Reaprendendo a viver

fantasy-2498903_640Eu me tornei mãe no apagar das luzes da fertilidade feminina, aos 37 anos. Apesar da idade um pouco tardia, meu filho nasceu perfeito e tive uma gravidez muito tranquila. O problema veio depois… Estou com 41 anos e tenho um filho de quatro. Ele é saudável e cheio de energia! Mas eu… nem tanto. A grande oscilação hormonal da gravidez e o avanço da idade trouxeram à tona um problema de saúde que eu não sabia que portava: o lúpus, uma doença dolorosa que torna tudo mais complicado. Desde a adolescência sofro com dores difusas pelo corpo e dores de cabeça. Mas nunca houve uma definição a respeito e o tratamento foi apenas paliativo. Eu era uma paciente do tipo borderline, ou seja, em cima do muro. Tinha alguns sintomas, porém não eram suficientes. Lúpus é uma moléstia autoimune inflamatória dos tecidos de difícil diagnóstico, dada a ampla variedade de sintomas e órgãos do corpo que podem ser atingidos. Porém, sabe-se que ela muitas vezes está relacionada, dentre outros fatores, com oscilações hormonais e impactos emocionais. Pois bem, eu segui borderline até 2014, quando, alguns meses após o parto, uma crise violenta iniciou. De repente, eu estava com um bebê recém-nascido no colo, longe da família (moramos em outro estado), sem suporte algum. Além disso, meus hormônios estavam alterados por causa do nascimento do meu filho e da amamentação. Tudo bem, não tive depressão pós-parto e não tenho medo de desafios. Mas não contava com a ferocidade do lobo (ou lupus, em latim). Foi nesse período que passei a enfrentar problemas de pele e articulares bastante sérios. Em meio às dificuldades de dor e indisposição, eis que surgiu uma arterite temporal (ou também chamada de arterite de células gigantes). Trata-se de uma inflamação grave na artéria temporal, que se não tratada, pode levar à cegueira ou a um derrame. E com esse último evento veio também o diagnóstico definitivo: o lobo estava acordado! Eu passei, naquele instante, a ser oficialmente portadora de Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES): uma doença reumatológica autoimune em que seus exames podem nada indicar, porém faz você ter a sensação constante de que passou por dentro de um moedor de carnes. Seu corpo inteiro dói e você vive cansada. Sempre muito cansada. Sempre muito dolorida. Sempre moída! Mas nem tudo foi ruim… O lado bom dessa descoberta foi ter que repensar, obrigatoriamente, a minha vida dali para frente. O primeiro ponto importante foi reconhecer os limites. Como assim? Simples: o portador de lúpus não tem a mesma resistência física e emocional que as pessoas ditas “normais”. Usei aspas porque normal, na verdade, ninguém é, certo? Hehehehe… Pois bem: se não temos a mesma resistência, então precisamos baixar a guarda e diminuir o ritmo de vida. Isso significa escolher, eleger prioridades. Ou seja, temos que reaprender a viver. É preciso se reinventar a cada instante. Esse é um exercício que o portador de lúpus terá que fazer enquanto existir. Mas calma: nem tudo são dores! A vida do lúpico só é ruim se ele permitir que a doença tome as rédeas. Não é o meu caso. Eu escolhi o desafio da reinvenção diária. O desafio de recomeçar a cada instante e viver um dia de cada vez. Respeitar a minha condição especial, os limites impostos pela doença e o avanço da idade é fundamental. Hoje, vou com calma. Aos poucos estou retornando para minha profissão de advogada, sempre assumindo apenas os compromissos que posso honrar lindamente. Não há cura para o lúpus. Mas há adaptação a ele. E a vida pode ser muito feliz! Tente ver dessa forma: Antes do lúpus eu vivia estressada e hoje sou leve. Antes eu duvidava e hoje tenho fé. Antes eu cansava ao mínimo esforço e hoje sou pilateira. Antes eu tinha um amor e hoje tenho dois! Sabe aquele velho ditado popular que diz: faça do limão uma limonada? Pois é isso mesmo! Já que você não vai se livrar do lobo, então cabe a você, lúpico, lutar todos os dias para domá-lo e para transformá-lo num dorminhoco cãozinho!

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O sucesso e a escola da vida

carefree-2280933_640Você se considera uma pessoa de sucesso? Quando era bem jovem, sonhava em ser quem se tornou? O você do passado teria orgulho do você de hoje? Certamente você já enfrentou esses questionamentos em algum momento da sua existência. Faço essas perguntas a mim mesma constantemente. E é engraçado como a ideia de sucesso está diretamente relacionada a dinheiro e profissão. Falou em sucesso, imediatamente surge na mente a imagem de uma posição profissional de destaque. No entanto, profissão é apenas um dos aspectos da nossa vida. Pare e pergunte-se: se você não precisasse comer e morar todos os dias, estaria fazendo o que faz da forma como faz? Apostaria que não. Alguma coisa você estaria fazendo de modo diferente. Mas como fugir do suposto sistema que nos aprisiona quando precisamos criar nossos filhos e manter nossas famílias? Já pensei sobre isso inúmeras vezes. Somos treinados para pensar em trabalho formal como a única possibilidade. Mas acredite: não é. Não é mesmo! O mundo oferece a cada instante infinitas oportunidades de vida e trabalho. Mês passado conheci um casal de alemães com três filhos pequenos que trouxe seu carro-casa da Alemanha e estava cruzando a América sobre quatro rodas. E cruzando a América, eles cruzaram o nosso caminho. O destino se encarregou de nos apresentar. A conversa foi rápida, em inglês mesmo, pois nem eles falavam português e nem nós alemão. Aqueles poucos instantes foram suficientes para perceber que eles estavam ali vivendo um sonho. Uma proposta de vida incrível! Veja bem: eles poderiam estar em uma casa FORMAL na Alemanha, seus filhos na escola FORMAL, eles em seu trabalho FORMAL. Mas não: tiveram a coragem de quebrar os paradigmas sociais. Optaram pela escola da vida, do mundo. Ao relatar esse encontro para amigos e conhecidos, a maioria reagiu de forma parecida: consideraram um sonho a aventura porém, para vivê-la, seria preciso dinheiro. Muito dinheiro. Então, a conclusão lógica é que essa vida não serve para os comuns, mas para poucos privilegiados ricos. Confesso que ao olhar para aquela família eu vi tudo, menos dinheiro sobrando. Inclusive o homem estava consertando pessoalmente o motor do seu carro (bruto). Não havia sofisticação, luxo ou ostentação ali. Havia, isso sim, uma família aventureira cheia de vontade de se jogar no mundo. Um carro robusto, um casal jovem e três crianças felizes completavam a cena que caberia perfeitamente em uma moldura. Me pego a pensar: por onde anda hoje essa família, enquanto eu estou aqui, no meu computador formal, escrevendo e trabalhando de modo formal? Se a vida é apenas uma e podemos morrer a cada instante, por que motivo nos agarramos à zona de conforto e às desculpas muitas vezes esfarrapadas para ficarmos exatamente onde estamos? Por que razão ficamos infelizes e ao mesmo tempo tão determinados em busca de um suposto sucesso formal, conceitual, que a sociedade nos empurrou como sendo a única forma de felicidade? A verdade é que somos humanos e precisamos garantir nossa sobrevivência nesse mundo de concorrência acirrada. E o trabalho formal ainda é, para a maioria, o meio mais estável de ganhar a vida. No entanto, muitas pessoas já estão se enchendo de coragem e tentando o novo: um trabalho sem ponto, uma escola da vida, uma casa ambulante. Eu mesma criei o Papo Café Site para poder trabalhar de qualquer lugar do mundo. Simplicidade, minimalismo, desapego, sustentabilidade e felicidade são as palavras que, na minha opinião, estão relacionadas ao sucesso. E não o dinheiro, o status. Portanto, olhe para você, reflita e seja sincero. Confesse, nem que seja sozinho e no escuro, os seus desejos e responda: como você gostaria de levar a vida? Gostaria que algo fosse diferente? E, de posse da resposta, tenha a coragem de mudar aquilo que está ao seu alcance. Não tenha vergonha de desejar uma vida simples, autêntica, de aventura, se esse for o se anseio. Busque caminhos alternativos. Busque encaixar na sua vida formal (já que nem sempre é possível jogar tudo para o alto) momentos de pura loucura! Se você não pode cruzar a América de carro, tente cruzar seu estado, por exemplo. Jogue-se! Não permita que as formalidades da vida o endureçam e atrapalhem seus sonhos, pois é de sonhos que a felicidade é construída. Busque alternativas! A vida oferece milhões delas a todo instante. Não desista de ter sucesso!

Apelo ao consumismo

blur-1850082_640Quem me conhece sabe que sou adepta do consumo consciente. Compro aquilo que preciso e nada mais. Pois bem: fui ao centro em busca de uma blusa de mangas compridas. Afinal, o frio chegou em Campo Grande! Passei por algumas lojas, olhando vitrinas, até que identifiquei algo que parecia me servir. Entrei e fui logo atendida por uma vendedora bem animada: “Oi, gata!” Pensei: Gata? Ih, agora ferrou! Tô lascada… Mesmo assim, após a calorosa recepção, dei um sorriso sem graça e prossegui explicando o que procurava. Algo me dizia que eu teria problemas ali… Mas tudo bem, segui em frente. Ela, então, começou a me mostrar peças de roupas. Posicionou-me diante de um espelho, sempre simpática. Mesmo sem querer nada além de uma blusa, por educação, eu fiquei ali experimentando vários tipos de casacos. Louca para ir embora, confesso. Mas ela foi tão solícita que resolvi ao menos experimentar. Passados alguns instantes, ela me conduziu ao provador. Vejam bem: Eu fui recepcionada na porta da loja, passei para a frente do espelho e, em 5 minutos, estava no fundo do estabelecimento. Tudo sem querer estar! Ela foi tão envolvente que eu, mesmo sem vontade, não consegui dizer que não queria. Percebam o que é o poder de persuasão de uma pessoa: EU, euzinha, adepta do minimalismo e sem papas na língua, não consegui dizer NÃO para uma vendedora! Pois a coisa ficou séria. No provador, fui soterrada: eu pedi para ver blusas e estavam diante de mim coletes, calças, blusões, casacos… E enquanto eu tentava entender o que estava acontecendo ali, mais e mais unidades de tudo chegavam à minha frente. Era uma montanha de roupas! Aquilo foi me sufocando, sufocando… Sério, fiquei atordoada! De repente ela surgiu na porta: “E aí, gata, serviu?” Pensei: Serviu o quê, sua doida? Não consigo sequer pensar, o que dirá me vestir! Foi então que tive a brilhante ideia de passar a mão numa calça qualquer, e dizer: moça, essa peça aqui não serviu. Poderia buscar no estoque um número maior? E assim que ela virou as costas para o provador… eu saí correndo! Literalmente correndo! Saí porta afora da loja rumo ao mundo! Me libertei daquela louca obsessão. Saí. Simplesmente fugi da prisão tal qual um pássaro foge da gaiola. Confesso que não olhei para trás. Fui para casa sem comprar nada. E ela, sem vender nada. Saímos perdendo, as duas. Fiquei a pensar sobre a forma como sucumbimos ao apelo do consumo. Entendo que os vendedores são trabalhadores e a economia não vai bem. Entendo, também, que existe uma pressão sobre esses profissionais para que atinjam metas de vendas. Mas o que vivi ultrapassou a divisa do razoável. Foi uma espécie de assédio moral. Fui envolvida em uma situação sem estar disposta e pressionada a tomar uma atitude que não queria. Fui abraçada por uma recepção calorosa, que me deixou de “saia justa”, quase que com a obrigação de consumir. Por mais que eu tenha tentado dizer não, meu desejo foi ignorado. A vontade da vendedora foi imposta e a minha subjugada. Se eu não fosse firme nos meus princípios de consumo consciente, ela teria me vencido e eu teria voltado para casa cheia de sacolas. Sacolas repletas de coisas das quais não preciso e não quero. E um vazio enorme no bolso e também na alma. Essa história serve para mostrar como somos vulneráveis aos apelos externos. Queremos ser agradáveis e, muitas vezes, agimos em desacordo com nossos princípios para não desapontar quem quer que seja. Queremos ser aceitos pelo outro. E isso é justo. Mas cuidado: tudo tem limites. Portanto, não se deixe assediar. Saiba dizer não quando lhe mandar o coração. Preserve-se. Seja firme em seus propósitos de vida. Você será mais feliz se for verdadeiramente você. Seja autêntico! Lembre-se: sua dignidade é sua maior fronteira. Jamais ultrapasse!

 

Aos gritos

scream-307414_640Andei fora do ar um tempo porque fiquei doente. Uma virose me derrubou pra valer! Nesse período, o principal órgão atingido foi a garganta. Muita dor, inflamação e afonia. Por esse motivo, fiquei literalmente sem falar por uns dias. Não apenas isso: precisei baixar muito o tom da minha voz. Precisei parar de gritar. Para ser sincera, até hoje, 10 dias após o começo dessa função toda, estou sem poder abusar da voz. Tive que emudecer por um tempo. Mas sabem, ficar muda me fez perceber algo importante: eu falo muito. Falo demais. E alto demais. Durante a mudez, pasmem: minha vida continuou perfeitamente. Não precisei dos meus gritos para me fazer compreender, não precisei dos meus excessos. Meu filho seguiu me ouvindo. Não precisei alterar o tom da minha voz para que ele cumprisse minhas ordens. Não precisei bradar aos quatro ventos para que ele viesse até mim me encher de carinho. Da mesma forma, meu esposo seguiu ao meu lado, escutando meu silêncio. Não houve perda de comunicação entre nós pelo fato de eu estar sem voz. Há muitos anos nos comunicamos através do olhar. Mas parece que eu havia esquecido disso… Se eu acreditasse no divino, diria que pedi a Deus essa oportunidade para aprender a ser uma pessoa melhor. Para que gritar e falar tresloucadamente? Para que viver assim, dizendo e dizendo, emendando assuntos e atropelando as conversas? Para que gritar com um filho? Precisamos realmente disso? Estou certa que não… Percebi que transfiro para minha voz todas as angústias da minha vida. Falar e falar e falar demonstra a ansiedade escondida na alma do falador. Relembrei como é bela a linguagem dos gestos, do olhar, do sentir. Não preciso falar! Como disse Dante, muito pouco ama, quem com palavras pode expressar quanto muito ama. Bravo, Dante! E assim, com essa virose malvada, aprendi a calar as palavras vazias que saem da boca e dar vida àquelas que estão sufocadas no coração. E essas… Ah… Essas não precisam de som para dizer.

 

Independência

money-256319_640Quando jovens e morando com os pais, sonhamos com a independência. Idealizamos o dia (fantástico) em que, com dinheiro no bolso, viveremos a nossa própria vida sem dar satisfação para ninguém. Aquele momento feliz em que estaremos finalmente livres de tudo que nos prende e limita! E assim seguimos: em longos e lindos devaneios, até que chegamos à fase adulta. Então começa um período de luta, de conquistas… Trabalhamos, ralamos, muita gente casa, filhos nascem. A vida passa a acontecer a pleno vapor e seguimos com passos certeiros em busca da independência. Ah, a independência… Aquela sensação de ser o dono do próprio nariz! Liberdade! Breves pensamentos nos invadem enquanto as coisas seguem acontecendo em um ritmo frenético. De repente, nos damos conta de que já faz tempo que estamos pagando as próprias contas e que temos uma vida complexa para administrar, porém, aquela tão almejada sensação de emancipação ainda não veio. Apesar das inúmeras conquistas continuamos nos sentindo… amarrados, dependentes! Já pararam para pensar no porquê? Depois de muito quebrar a cabeça compreendi que a independência vai além de ganhar o próprio dinheiro. Na verdade, ser independente é uma utopia, pois sempre se depende de alguém para alguma coisa. Nem que seja do padeiro da esquina, pois se ele não for ao trabalho não teremos o pãozinho do café da manhã! Pessoal, a vida não é segmentada, embora nós, seres humanos, teimemos em dizer que é. Exercitando aquela velha mania de tentar comandar o que não tem comando, dividimos a nossa existência em sub-vidas: profissional, pessoal, social, amorosa… E necessitamos loucamente ter êxito em todas elas para alcançarmos a tal felicidade proporcionada pela independência. Tudo ilusão! O que existe é uma coisa só: VIDA. Portanto, a ideia de independência plena e irrestrita que costumamos idealizar na juventude é ilusória. Querem exemplos? Vamos lá: muitos pagam plenamente suas contas porém estão ligados emocionalmente a outra pessoa de forma abusiva e descontrolada: um cônjuge, um familiar, um filho… Tal vínculo é tamanho que a pessoa não consegue seguir seu caminho de forma autônoma, precisando desesperadamente estar, falar, olhar para o outro a cada instante. Precisa da aprovação, do conselho, do toque, da presença constante e incessante! O outro é sua bengala. Ora, essa pessoa é dependente. Muito dependente. Doentiamente dependente! Outro exemplo: uma pessoa que não consegue ficar em casa sozinha. O famoso medo da solidão! O indivíduo não se basta e precisa estar no meio do tumulto o tempo todo. Precisa de gente, precisa estar entre amigos, precisa estar com a casa cheia. Sempre! Se fica só o pavor se instala. Não importa quem esteja por perto, bastando que não esteja sozinho. Ora, pessoal, por mais que essa pessoa tenha recursos financeiros e pague suas contas, não se pode dizer que é independente. Então, vejam bem: todos nós dependemos de alguém ou de algo. Discorda? Então responda: Você saberia viver sem seu celular? Você deve saber que com um celular na mão você pode estar tudo, menos sozinho! Então imagine-se em uma ilha deserta sem comunicação e com todo o dinheiro do mundo. Apenas você, seu dinheiro e a natureza. Poderíamos considerá-lo independente? Sim, com certeza. Agora responda: você seria feliz? Dificilmente. Então, minha gente, pode-se dizer que, ao contrário do que imaginamos na adolescência, a felicidade encontra-se na dependência. Não naquela doentia, como a dos exemplos. Mas na dependência sadia, no equilíbrio das forças. Somos seres sociais e não vivemos só. De nada serve o dinheiro se são tivermos com quem partilhar. É preciso gostar de estar só, sem dúvidas! Mas é preciso também gostar de estar entre as pessoas que amamos. Uma boa dose de equilíbrio em tudo que se faz e se vive talvez seja o segredo da felicidade. Permita-se estar só e estar junto, ganhar dinheiro e dividi-lo, partir e deixar partir. Divida, sim, momentos com quem você ama, mas aprecie, também, ir ao cinema sozinho. Pague um chopp para seu vizinho, mas deixe que, em outra ocasião, ele lhe retribua. Flexibilize sua mente e esqueça velhos conceitos! Lembre-se de que a vida não é fatiada, mas sim um todo. Um todo que só se vive uma vez!

Estilo minimalista

silhouette-1901266_640Você já parou para pensar na quantidade de coisas que adquiriu ao longo da vida? Faça um exercício simples: vá até seu roupeiro e olhe para dentro. Quantas coisas há ali que você não usa há tempo? Certamente muitas! Mas pense comigo: por que mantemos em nossas vidas coisas que não são úteis? Já pensou em viver com menos? Bem, você já deve ter sacado que estou falando de uma tendência muito atual: o estilo de vida minimalista. Por acaso você já se sentiu angustiado ao entrar em casa, sem que houvesse algum motivo aparente para isso? Eu já… Você sabia que esse sufocamento pode vir justamente do excesso de coisas (inúteis) que você possui? Pois é… Veja só o meu exemplo: há alguns anos meu esposo e eu fizemos uma viagem que durou uns 20 dias. Para essa ocasião levamos 2 malas grandes cheias de pertences. Isso mesmo! Nós levamos uma quantidade absurda de coisas para passar apenas alguns dias fora de casa. Foi uma quantidade insana! Só não levei uma capivara porque não achei uma quando arrumava as malas! Se tivesse passado alguma na minha frente teria entrado na bagagem com certeza… E sabe o que aconteceu com esse mundaréu de coisas? Pois bem, além da companhia aérea extraviar as duas malas, nos fazendo perder um dia inteiro no aeroporto e uma atração desejadíssima com ingressos já comprados, as malas voltaram para casa no fim da viagem praticamente intactas. Isso mesmo: grande parte das nossas coisas não foram necessárias e nem úteis. Resumindo, foi um estresse danado para organizar as malas na ida, um estresse danado para carregá-las durante e o pior de tudo: um inferno para desfazer no fim da viagem. Veja só quanta energia desperdiçada! Eu poderia ter levado apenas 20% de tudo e estaria ótimo! Teria poupado tempo, evitado complicações e aborrecimentos. Agora, pense aqui comigo: e se eu reduzisse tudo que tenho a módicos 20%? Loucura? Pois bem: a partir dessa viagem comecei a pensar em diminuir significativamente as minhas posses. E essa ideia foi parecendo mais e mais simpática a cada dia. Até que… Decisão tomada! O estilo de vida minimalista me convenceu! E aos poucos, fui desapegando e me livrando das coisas inúteis que tinha dentro de casa. Ia passando pelos ambientes e limpando, eliminando, reduzindo. Fui indo nesse processo, dia após dia, mês após mês, gaveta após gaveta… Até que, certa ocasião, tomei uma decisão radical: aluguei uma caçamba de entulhos e coloquei na frente da minha casa. Queria dar um basta no acúmulo! A minha meta era enchê-la com tudo aquilo que não servia, que não era usado. Mesmo que estivesse em perfeito estado de conservação. Exagero? Não sei… Só sei que ficou lotada. Coloquei toda sorte de objetos dentro dela: de aparelho de fondue na caixa a móveis antigos. Muitas coisas funcionavam com perfeição, porém eram absolutamente sem utilidade para minha vida. Para minha satisfação, tudo que estava em bom estado foi recolhido pela vizinhança. Sempre há alguém interessado em um grill ou numa torradeira semi-nova! As minhas roupas (e aqui incluí cama, mesa e banho), recolhi em 3 sacos gigantes e entreguei para um centro de doação. Os livros doei para meus vizinhos. Cortinas e adornos decorativos? Fora! E assim a minha casa foi ficando vazia de objetos. Até que, num dado momento, não encontrei mais nada que tivesse cara, cor ou jeito de tralha. Foi então que o tão esperado momento chegou: caçamba foi embora! Dela restaram apenas a lembrança e uma foto que fiz questão de tirar. Hoje, quando penso naquela caçamba cheia, reconheço que não sei como vivi cercada de tantas coisas inservíveis por 40 anos! É… Realmente essa foi uma experiência libertadora, pois de todo esse processo de desapego restou apenas o essencial. E com a casa “vazia”, aquela angústia que às vezes me tomava passou. Entendi que o essencial para a vida é estar cercado de gente e não de coisas. São as pessoas que habitam a casa que fazem um lar ser pleno. Mesmo que essa pessoa seja apenas você! Os pertences não fazem a falta que pensamos, pois uma vez retirados, sequer lembramos que um dia existiram em nossas vidas. Por isso é importante ter em mente que nós, pessoas, devemos ser o foco de toda nossa energia e amor. Não as coisas! Assim, com base nessa experiência pessoal e única, eu deixo essa dica: não se perca em meio aos objetos da sua casa. Simplifique sua vida! Viva leve, viva livre. Não arrume desculpas para guardar coisas que não acrescentam vida à sua vida. Importe-se com as pessoas. Quebrou? Jogue fora! Rasgou? Doe! Você verá: será mais feliz e menos estressado. Acredite! E quando for viajar, lembre-se sempre de deixar a capivara fora da mala!

 

A medida da loucura

madness-227958_640Hoje presenciei uma cena triste: uma jovem teve um surto dentro do mercado. Começou a discursar sozinha e, de repente, passou a dar socos no caixa eletrônico. Me perdi naquele episódio. Uma moça bem vestida, boa aparência, uns vinte e poucos anos. No mesmo instante inúmeras hipóteses passaram na minha mente: está usando drogas, está enfrentando problemas, simplesmente enlouqueceu… Seja o que for, nunca saberei. Foi triste de ver! E mesmo desconhecendo as suas razões, aquilo me marcou. E comecei, então, a observar as pessoas ao meu redor. Fui para casa e, dirigindo, observava cada alma que cruzava meu caminho. Perguntava mentalmente: o que se passa com essa pessoa ali? E com aquela lá? Sem me dar conta, estava a analisar as pessoas da rua. Até que, num semáforo, parei. Pois bem na minha frente atravessou um senhor de barba branca e comprida, apoiando-se em um galho de árvore e com uma sacola de pano na cabeça fixada por um cinto. Certamente pensava ser o Gandalf, do filme ‘The Hobbit’. Fiquei intrigada: quando foi que essas pessoas perderam a sanidade e, sem perceber, passaram à insensatez? Afinal, qual é a medida da loucura? Minha ficha caiu. A linha entre a loucura e a lucidez é muito tênue. Veja você, essa moça do mercado e esse senhor na rua: sequer perceberam que não estão mais de posse de suas plenas faculdades mentais. Estão vivendo de acordo com a lógica de suas maluquices, sem compreender que a realidade dos sãos não mais lhes pertence. Não se veem em desatino. Não têm consciência da sua loucura. Vivem uma ilusão. E pior: acreditam nela! De repente, fiquei com medo. Medo de enlouquecer. Ou de já estar louca e não saber! Respirei fundo e segui em frente. Afinal, ainda lembrava o rumo de casa. Ufa, cheguei! Senti um certo alívio por chegar. E cá com meus botões, me pus a refletir: Quantas vezes nós, lúcidos, nos iludimos? Quantas vezes, por razão ou outra, acreditamos em verdadeiras quimeras, como se fossem reais? Não seríamos, então, todos nós, humanos, um pouco doidivanas? Quantas vezes acreditamos numa mentira pelo simples fato dela estar sendo contada por nós próprios? Nem tudo o que sai da sua boca é real. Nem tudo o que você escuta é real. Nem tudo o que seus olhos veem é real. Nem tudo o que você PENSA é real. Pare e responda: qual é a medida da sua loucura? Não sabe dizer, não é… Então, meu amigo, só há um jeito: antes de chamar alguém de doido analise-se, pois o louco pode ser você!

Silêncio

rest-2106964_640É preciso aprender a escutar o silêncio. Ao compreendê-lo, abandona-se o hábito do barulho: aquele emaranhado indecifrável de sons ocos que se misturam e se sovam feito massa de pão. Quando a festa acaba, não tem mais jeito, o silêncio se aprochega… E atinge em cheio os ouvidos! Restam apenas você e o vazio que sente quando não há bailes, não há fragor, não há máscaras. Acabou o aglomerado ruidoso, que de tão cheio é capaz de esconder um grande nada. Você e o silêncio: som mudo e sagaz, perito em revelá-lo para seu próprio eu. Ardiloso, sabe com maestria formalizar o encontro que ninguém quer ter consigo mesmo. Ah… como é revelador! Sem piedade, o silêncio expõe. Não há segredos quando se está a sós, ao som do silêncio. Ele chega de repente e impacta: tira sua roupa, desvenda seus mistérios. Você não tem onde se esconder. Está nu na quietude dos seus pensamentos. E como é dor! A dor da sinceridade. Pois é no silêncio que você mora. É no silêncio que você se mostra. É lá, no remanso da alma, que está seu autêntico eu. O silêncio não é para os fracos! Se tiver coragem, abra a porta e deixe-o entrar. Permita-se entorpecer na calmaria da sua própria consciência. Aprenda a escutar a sabedoria do vácuo. A toada que nada fala mas tudo diz.

Simplicidade

gerbera-1346587_640Simplicidade não é desleixo. Não é pobreza. Não é rusticidade. Simplicidade é uma escolha. Um estilo de vida. É quando você desapega de coisas, sentimentos e pessoas que não te acrescentam. Vida simples é aquela que se vive sem excessos, apenas com o necessário. Com aquilo que é importante para você. Com aquilo que faz você feliz. Simplicidade não tem relação com vestir roupas largas e chinelos velhos, andar despenteado vagando por aí. Não é ter uma casa mal cuidada ou um carro caindo aos pedaços. Ser simples não significa ausência de vaidade ou asseio. Você pode ser simples e estar bem arrumado. Você pode ser simples e andar perfumado. Você pode ser simples e ser gentil com as pessoas. Simplicidade e luxo não são conceitos opostos! Ser simples é descomplicar a vida. É manter o que é útil e descartar o lixo. Olhe para dentro e reflita. Se você for sincero consigo mesmo, saberá exatamente a medida da sua simplicidade!