Silêncio

rest-2106964_640É preciso aprender a escutar o silêncio. Ao compreendê-lo, abandona-se o hábito do barulho: aquele emaranhado indecifrável de sons ocos que se misturam e se sovam feito massa de pão. Quando a festa acaba, não tem mais jeito, o silêncio se aprochega… E atinge em cheio os ouvidos! Restam apenas você e o vazio que sente quando não há bailes, não há fragor, não há máscaras. Acabou o aglomerado ruidoso, que de tão cheio é capaz de esconder um grande nada. Você e o silêncio: som mudo e sagaz, perito em revelá-lo para seu próprio eu. Ardiloso, sabe com maestria formalizar o encontro que ninguém quer ter consigo mesmo. Ah… como é revelador! Sem piedade, o silêncio expõe. Não há segredos quando se está a sós, ao som do silêncio. Ele chega de repente e impacta: tira sua roupa, desvenda seus mistérios. Você não tem onde se esconder. Está nu na quietude dos seus pensamentos. E como é dor! A dor da sinceridade. Pois é no silêncio que você mora. É no silêncio que você se mostra. É lá, no remanso da alma, que está seu autêntico eu. O silêncio não é para os fracos! Se tiver coragem, abra a porta e deixe-o entrar. Permita-se entorpecer na calmaria da sua própria consciência. Aprenda a escutar a sabedoria do vácuo. A toada que nada fala mas tudo diz.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s