Independência

money-256319_640Quando jovens e morando com os pais, sonhamos com a independência. Idealizamos o dia (fantástico) em que, com dinheiro no bolso, viveremos a nossa própria vida sem dar satisfação para ninguém. Aquele momento feliz em que estaremos finalmente livres de tudo que nos prende e limita! E assim seguimos: em longos e lindos devaneios, até que chegamos à fase adulta. Então começa um período de luta, de conquistas… Trabalhamos, ralamos, muita gente casa, filhos nascem. A vida passa a acontecer a pleno vapor e seguimos com passos certeiros em busca da independência. Ah, a independência… Aquela sensação de ser o dono do próprio nariz! Liberdade! Breves pensamentos nos invadem enquanto as coisas seguem acontecendo em um ritmo frenético. De repente, nos damos conta de que já faz tempo que estamos pagando as próprias contas e que temos uma vida complexa para administrar, porém, aquela tão almejada sensação de emancipação ainda não veio. Apesar das inúmeras conquistas continuamos nos sentindo… amarrados, dependentes! Já pararam para pensar no porquê? Depois de muito quebrar a cabeça compreendi que a independência vai além de ganhar o próprio dinheiro. Na verdade, ser independente é uma utopia, pois sempre se depende de alguém para alguma coisa. Nem que seja do padeiro da esquina, pois se ele não for ao trabalho não teremos o pãozinho do café da manhã! Pessoal, a vida não é segmentada, embora nós, seres humanos, teimemos em dizer que é. Exercitando aquela velha mania de tentar comandar o que não tem comando, dividimos a nossa existência em sub-vidas: profissional, pessoal, social, amorosa… E necessitamos loucamente ter êxito em todas elas para alcançarmos a tal felicidade proporcionada pela independência. Tudo ilusão! O que existe é uma coisa só: VIDA. Portanto, a ideia de independência plena e irrestrita que costumamos idealizar na juventude é ilusória. Querem exemplos? Vamos lá: muitos pagam plenamente suas contas porém estão ligados emocionalmente a outra pessoa de forma abusiva e descontrolada: um cônjuge, um familiar, um filho… Tal vínculo é tamanho que a pessoa não consegue seguir seu caminho de forma autônoma, precisando desesperadamente estar, falar, olhar para o outro a cada instante. Precisa da aprovação, do conselho, do toque, da presença constante e incessante! O outro é sua bengala. Ora, essa pessoa é dependente. Muito dependente. Doentiamente dependente! Outro exemplo: uma pessoa que não consegue ficar em casa sozinha. O famoso medo da solidão! O indivíduo não se basta e precisa estar no meio do tumulto o tempo todo. Precisa de gente, precisa estar entre amigos, precisa estar com a casa cheia. Sempre! Se fica só o pavor se instala. Não importa quem esteja por perto, bastando que não esteja sozinho. Ora, pessoal, por mais que essa pessoa tenha recursos financeiros e pague suas contas, não se pode dizer que é independente. Então, vejam bem: todos nós dependemos de alguém ou de algo. Discorda? Então responda: Você saberia viver sem seu celular? Você deve saber que com um celular na mão você pode estar tudo, menos sozinho! Então imagine-se em uma ilha deserta sem comunicação e com todo o dinheiro do mundo. Apenas você, seu dinheiro e a natureza. Poderíamos considerá-lo independente? Sim, com certeza. Agora responda: você seria feliz? Dificilmente. Então, minha gente, pode-se dizer que, ao contrário do que imaginamos na adolescência, a felicidade encontra-se na dependência. Não naquela doentia, como a dos exemplos. Mas na dependência sadia, no equilíbrio das forças. Somos seres sociais e não vivemos só. De nada serve o dinheiro se são tivermos com quem partilhar. É preciso gostar de estar só, sem dúvidas! Mas é preciso também gostar de estar entre as pessoas que amamos. Uma boa dose de equilíbrio em tudo que se faz e se vive talvez seja o segredo da felicidade. Permita-se estar só e estar junto, ganhar dinheiro e dividi-lo, partir e deixar partir. Divida, sim, momentos com quem você ama, mas aprecie, também, ir ao cinema sozinho. Pague um chopp para seu vizinho, mas deixe que, em outra ocasião, ele lhe retribua. Flexibilize sua mente e esqueça velhos conceitos! Lembre-se de que a vida não é fatiada, mas sim um todo. Um todo que só se vive uma vez!

Estilo minimalista

silhouette-1901266_640Você já parou para pensar na quantidade de coisas que adquiriu ao longo da vida? Faça um exercício simples: vá até seu roupeiro e olhe para dentro. Quantas coisas há ali que você não usa há tempo? Certamente muitas! Mas pense comigo: por que mantemos em nossas vidas coisas que não são úteis? Já pensou em viver com menos? Bem, você já deve ter sacado que estou falando de uma tendência muito atual: o estilo de vida minimalista. Por acaso você já se sentiu angustiado ao entrar em casa, sem que houvesse algum motivo aparente para isso? Eu já… Você sabia que esse sufocamento pode vir justamente do excesso de coisas (inúteis) que você possui? Pois é… Veja só o meu exemplo: há alguns anos meu esposo e eu fizemos uma viagem que durou uns 20 dias. Para essa ocasião levamos 2 malas grandes cheias de pertences. Isso mesmo! Nós levamos uma quantidade absurda de coisas para passar apenas alguns dias fora de casa. Foi uma quantidade insana! Só não levei uma capivara porque não achei uma quando arrumava as malas! Se tivesse passado alguma na minha frente teria entrado na bagagem com certeza… E sabe o que aconteceu com esse mundaréu de coisas? Pois bem, além da companhia aérea extraviar as duas malas, nos fazendo perder um dia inteiro no aeroporto e uma atração desejadíssima com ingressos já comprados, as malas voltaram para casa no fim da viagem praticamente intactas. Isso mesmo: grande parte das nossas coisas não foram necessárias e nem úteis. Resumindo, foi um estresse danado para organizar as malas na ida, um estresse danado para carregá-las durante e o pior de tudo: um inferno para desfazer no fim da viagem. Veja só quanta energia desperdiçada! Eu poderia ter levado apenas 20% de tudo e estaria ótimo! Teria poupado tempo, evitado complicações e aborrecimentos. Agora, pense aqui comigo: e se eu reduzisse tudo que tenho a módicos 20%? Loucura? Pois bem: a partir dessa viagem comecei a pensar em diminuir significativamente as minhas posses. E essa ideia foi parecendo mais e mais simpática a cada dia. Até que… Decisão tomada! O estilo de vida minimalista me convenceu! E aos poucos, fui desapegando e me livrando das coisas inúteis que tinha dentro de casa. Ia passando pelos ambientes e limpando, eliminando, reduzindo. Fui indo nesse processo, dia após dia, mês após mês, gaveta após gaveta… Até que, certa ocasião, tomei uma decisão radical: aluguei uma caçamba de entulhos e coloquei na frente da minha casa. Queria dar um basta no acúmulo! A minha meta era enchê-la com tudo aquilo que não servia, que não era usado. Mesmo que estivesse em perfeito estado de conservação. Exagero? Não sei… Só sei que ficou lotada. Coloquei toda sorte de objetos dentro dela: de aparelho de fondue na caixa a móveis antigos. Muitas coisas funcionavam com perfeição, porém eram absolutamente sem utilidade para minha vida. Para minha satisfação, tudo que estava em bom estado foi recolhido pela vizinhança. Sempre há alguém interessado em um grill ou numa torradeira semi-nova! As minhas roupas (e aqui incluí cama, mesa e banho), recolhi em 3 sacos gigantes e entreguei para um centro de doação. Os livros doei para meus vizinhos. Cortinas e adornos decorativos? Fora! E assim a minha casa foi ficando vazia de objetos. Até que, num dado momento, não encontrei mais nada que tivesse cara, cor ou jeito de tralha. Foi então que o tão esperado momento chegou: caçamba foi embora! Dela restaram apenas a lembrança e uma foto que fiz questão de tirar. Hoje, quando penso naquela caçamba cheia, reconheço que não sei como vivi cercada de tantas coisas inservíveis por 40 anos! É… Realmente essa foi uma experiência libertadora, pois de todo esse processo de desapego restou apenas o essencial. E com a casa “vazia”, aquela angústia que às vezes me tomava passou. Entendi que o essencial para a vida é estar cercado de gente e não de coisas. São as pessoas que habitam a casa que fazem um lar ser pleno. Mesmo que essa pessoa seja apenas você! Os pertences não fazem a falta que pensamos, pois uma vez retirados, sequer lembramos que um dia existiram em nossas vidas. Por isso é importante ter em mente que nós, pessoas, devemos ser o foco de toda nossa energia e amor. Não as coisas! Assim, com base nessa experiência pessoal e única, eu deixo essa dica: não se perca em meio aos objetos da sua casa. Simplifique sua vida! Viva leve, viva livre. Não arrume desculpas para guardar coisas que não acrescentam vida à sua vida. Importe-se com as pessoas. Quebrou? Jogue fora! Rasgou? Doe! Você verá: será mais feliz e menos estressado. Acredite! E quando for viajar, lembre-se sempre de deixar a capivara fora da mala!

 

A medida da loucura

madness-227958_640Hoje presenciei uma cena triste: uma jovem teve um surto dentro do mercado. Começou a discursar sozinha e, de repente, passou a dar socos no caixa eletrônico. Me perdi naquele episódio. Uma moça bem vestida, boa aparência, uns vinte e poucos anos. No mesmo instante inúmeras hipóteses passaram na minha mente: está usando drogas, está enfrentando problemas, simplesmente enlouqueceu… Seja o que for, nunca saberei. Foi triste de ver! E mesmo desconhecendo as suas razões, aquilo me marcou. E comecei, então, a observar as pessoas ao meu redor. Fui para casa e, dirigindo, observava cada alma que cruzava meu caminho. Perguntava mentalmente: o que se passa com essa pessoa ali? E com aquela lá? Sem me dar conta, estava a analisar as pessoas da rua. Até que, num semáforo, parei. Pois bem na minha frente atravessou um senhor de barba branca e comprida, apoiando-se em um galho de árvore e com uma sacola de pano na cabeça fixada por um cinto. Certamente pensava ser o Gandalf, do filme ‘The Hobbit’. Fiquei intrigada: quando foi que essas pessoas perderam a sanidade e, sem perceber, passaram à insensatez? Afinal, qual é a medida da loucura? Minha ficha caiu. A linha entre a loucura e a lucidez é muito tênue. Veja você, essa moça do mercado e esse senhor na rua: sequer perceberam que não estão mais de posse de suas plenas faculdades mentais. Estão vivendo de acordo com a lógica de suas maluquices, sem compreender que a realidade dos sãos não mais lhes pertence. Não se veem em desatino. Não têm consciência da sua loucura. Vivem uma ilusão. E pior: acreditam nela! De repente, fiquei com medo. Medo de enlouquecer. Ou de já estar louca e não saber! Respirei fundo e segui em frente. Afinal, ainda lembrava o rumo de casa. Ufa, cheguei! Senti um certo alívio por chegar. E cá com meus botões, me pus a refletir: Quantas vezes nós, lúcidos, nos iludimos? Quantas vezes, por razão ou outra, acreditamos em verdadeiras quimeras, como se fossem reais? Não seríamos, então, todos nós, humanos, um pouco doidivanas? Quantas vezes acreditamos numa mentira pelo simples fato dela estar sendo contada por nós próprios? Nem tudo o que sai da sua boca é real. Nem tudo o que você escuta é real. Nem tudo o que seus olhos veem é real. Nem tudo o que você PENSA é real. Pare e responda: qual é a medida da sua loucura? Não sabe dizer, não é… Então, meu amigo, só há um jeito: antes de chamar alguém de doido analise-se, pois o louco pode ser você!

Silêncio

rest-2106964_640É preciso aprender a escutar o silêncio. Ao compreendê-lo, abandona-se o hábito do barulho: aquele emaranhado indecifrável de sons ocos que se misturam e se sovam feito massa de pão. Quando a festa acaba, não tem mais jeito, o silêncio se aprochega… E atinge em cheio os ouvidos! Restam apenas você e o vazio que sente quando não há bailes, não há fragor, não há máscaras. Acabou o aglomerado ruidoso, que de tão cheio é capaz de esconder um grande nada. Você e o silêncio: som mudo e sagaz, perito em revelá-lo para seu próprio eu. Ardiloso, sabe com maestria formalizar o encontro que ninguém quer ter consigo mesmo. Ah… como é revelador! Sem piedade, o silêncio expõe. Não há segredos quando se está a sós, ao som do silêncio. Ele chega de repente e impacta: tira sua roupa, desvenda seus mistérios. Você não tem onde se esconder. Está nu na quietude dos seus pensamentos. E como é dor! A dor da sinceridade. Pois é no silêncio que você mora. É no silêncio que você se mostra. É lá, no remanso da alma, que está seu autêntico eu. O silêncio não é para os fracos! Se tiver coragem, abra a porta e deixe-o entrar. Permita-se entorpecer na calmaria da sua própria consciência. Aprenda a escutar a sabedoria do vácuo. A toada que nada fala mas tudo diz.

Simplicidade

gerbera-1346587_640Simplicidade não é desleixo. Não é pobreza. Não é rusticidade. Simplicidade é uma escolha. Um estilo de vida. É quando você desapega de coisas, sentimentos e pessoas que não te acrescentam. Vida simples é aquela que se vive sem excessos, apenas com o necessário. Com aquilo que é importante para você. Com aquilo que faz você feliz. Simplicidade não tem relação com vestir roupas largas e chinelos velhos, andar despenteado vagando por aí. Não é ter uma casa mal cuidada ou um carro caindo aos pedaços. Ser simples não significa ausência de vaidade ou asseio. Você pode ser simples e estar bem arrumado. Você pode ser simples e andar perfumado. Você pode ser simples e ser gentil com as pessoas. Simplicidade e luxo não são conceitos opostos! Ser simples é descomplicar a vida. É manter o que é útil e descartar o lixo. Olhe para dentro e reflita. Se você for sincero consigo mesmo, saberá exatamente a medida da sua simplicidade!

A segunda metade da vida

adventure-1868817_640Chegar aos 40 anos significa atingir a metade da vida. Isso em termos, claro, pois ninguém sabe a hora da partida e muitos sequer chegam aos 40 anos. De qualquer forma, completar essa idade é um marco para a maioria das pessoas. É nesse tempo que você compreende que não é mais jovem. Mas também não é idoso. Para muitos dos seus sonhos você se acha velho, muito embora ainda não tenha um cartão de descontos para aposentados na farmácia. Fica difícil aceitar que o mundo não está mais aos seus pés… Ontem estava, hoje não mais. Começa a pensar na finitude da vida, mas logo espanta esse pensamento. Zonzo, você quer agir! E deseja ardentemente se dedicar àquilo que realmente importa. Àquilo que faz vibrar o corpo e a alma. Quer sentir que está vivo. É como se a sua última oportunidade de dar uma guinada estivesse ali, na sua frente. Você é todo dúvidas e reflexões. Compreende que o tempo não é mais seu aliado. Lembra daquela música antiga que tantas vezes você cantou e se identificou: temos todo o tempo do mundo… somos tão jovens… Mas você já se enquadra mais nela. E depois de um período perdido em meio ao temporal, seus pensamentos começam a clarear. Afinal, chegar na metade da vida pode ser maravilhoso. Porque te coloca de frente para o espelho. Você de frente para você. E o pior: você sem roupas! Você vai analisar sua vida, vai sofrer com seus erros, vai valorizar seus acertos. Vai botar tudo, tudinho, na balança. E vai encontrar equilíbrio. Isso não é simplesmente perfeito? Você será alçado a um patamar na existência em que apenas investirá seu precioso tempo e energia com aquilo que realmente importa. Vai olhar o mundo com mais calma, lentidão, demora. Buscará ao máximo a leveza, a beleza, o prazer em tudo que faz. Vai voltar a fazer planos. Ambiciosos! Mirabolantes talvez. Mas tudo bem: Você tem 40 anos e já não teme. Você, amigo, está maduro. Pronto, recauchutado e reabastecido para seguir a caminhada! Se você já chegou aos 40, sabe bem do que estou falando. E se posso ousar a lhe dar algum conselho, é que se jogue na vida. Mas se jogue sem pudor! Se ainda não chegou, espere. Guarde esse depoimento para o dia em que os 40 anos baterem em sua porta. Não dizem por aí que a vida começa aos 40? Pois pode acreditar: dizem isso e não é à toa! Palavra de uma quarentona…

Por que choro?

emotion-1465151_640Por que choro? Choro porque estou farta. Farta de tanta injustiça, farta da maldade humana. Farta da crueldade que assola nossas vidas, invade nossas casas, maltrata nossas crianças. Então transbordo! Choro quando vejo uma criança agredida, relegada, morta. Inocentes! Ricos anjos de tenra idade já sofrendo nessa vida dura. Choro porque sou mãe e ser mãe dói. Quando vejo uma mãe chorar a morte do seu filho, eu choro junto. Espécie de empatia entre mães. Não fico indiferente. Não consigo ficar. Não importa quem seja o filho, qual sua condição. Choro quando me coloco no lugar delas, desasadas de seus pintinhos. Pobres criaturas que passam a viver por mera insistência. Choro porque no meu peito bate um coração de mãe. E um coração de mãe sempre será solidário ao coração de outra mãe. Porque amor por filho é coisa sem medida. É coisa sem explicação. É coisa que não pertence a esse mundo bandido. É amor demais para passar despercebido. É amor que dói. E por isso choro. Choro porque a maldade me fere mesmo que não me atinja. Eu, na minha pequenez, não sou capaz compreendê-la, de perdoá-la. Estou farta! E apesar de farta, a vida não me faz dura. Ao revés, me faz mole. De coração mole. Mole e teimosa, porque apesar do choro continuo a acreditar na vida. E então choro. Choro porque estou farta. Choro porque sou sensível. Choro porque sou solidária. Choro porque sou mãe. Choro porque resisto.

A (in)tolerância religiosa

hands-1445472_640Na época dos tribunais de inquisição medievais, a Igreja Católica, a pretexto de eliminar os supostos hereges e feiticeiros, condenava os assim considerados à fogueira. Pessoas foram queimadas vivas publicamente apenas por expressarem um pensamento diferente daquele desejado pela instituição. Sem entrar no mérito, tais atos foram cometidos em uma época obscura da humanidade e pertencem a um capítulo da história que ninguém quer lembrar. Pois bem, há alguns dias, na Nicarágua, uma mulher foi lançada em uma fogueira com os pés e mãos amarrados a pretexto de expulsar o demônio que a estava possuindo. Uma suposta revelação divina fez com que a nicaraguense fosse atirada às chamas em pleno ano de 2017 pelo pastor da igreja evangélica a qual a jovem frequentava. Esse episódio triste revela o quão atrasados estamos no quesito humanidade. Somos, em essência, iguais ao homem de 1200, apenas um pouco melhor vestidos. Ao ter conhecimento de uma notícia tão tenebrosa quanto essa, percebo que não evoluímos nada nos últimos 800 anos. Estamos vivendo tempos de fundamentalismo religioso e de intolerância à fé alheia. Mesmo quem não tem fé alguma é criticado, difamado e atacado. Ou seja: atrocidades continuam sendo cometidas em nome de Deus. Atentados terroristas de cunho religioso amedrontam nações inteiras, as quais vão se fechando para o mundo. A tal ponto de etnias serem proibidas de ingressar em países por causa da sua religião dominante. A paz entre as nações é uma utopia cada dia mais distante e atrevo-me a dizer que caminhamos para mais uma guerra de proporções mundiais. Lamentavelmente, enquanto não houver respeito ao outro não haverá paz entre as nações. Não haverá paz entre as pessoas. A história nos mostra que todo ato de crueldade está, na verdade, a acobertar grandes fraquezas do ser humano. Assim, precisamos mudar as atitudes opressoras. E a mudança, amigo, deve começar por você, nas suas relações pessoais. Comece respeitando o pensamento diferente de um filho ou irmão, a escolha de um cunhado. Não julgue, não emita opinião depreciativa, não critique. Simplesmente aceite. O respeito é como jogar cinzas ao vento: espalha, contamina, voa longe… Respeite para ser respeitado. Não acredite tão cegamente naquilo que você pensa, pois nem tudo é verdadeiro. Então faça sua parte: atire respeito no ventilador! Seja um ser humano diferenciado, um ser humano realmente HUMANO. Mostre ao mundo que existe espaço para as diferenças. Afinal, são as diferenças que dão graça à vida. Não tenha vergonha de expor a sua fé (ou mesmo a falta dela). Agarre-se àquilo em que acredita. Defenda suas ideias. Mas não subestime o outro que não pensa como você. Seja tolerante e viverá bem. Traga luz para esses tempos escuros!