Bike é vida!

Ciclovia Via Morena – Campo Grande MS


O ciclismo está no meu sangue. Meu velho avô foi campeão de várias ‘voltas’ Brasil afora. Muitas pedaladas a gente deu juntos pela vida. Depois que ele morreu, nunca mais pedalei. E 20 anos se passaram. Mas, de repente, algo em mim despertou outra vez. Acho que o luto passou e só a saudade boa ficou. Talvez seja o desejo de manter a lembrança viva. Não sei… Então comprei uma bike usada. Um verdadeiro “Fusca” dentre as bikes que circulam por aí. Mas não me importei com isso. E voltei a pedalar! E tem sido como um reencontro! Um vício bom demais. E de tudo isso que estou sentindo, apenas digo: bike é vida! Que Deus me proteja e permita que eu pedale até o fim da minha ciclovia!
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Paçoca

Nada foge do destino. Nada! Portas que não abrem não são nossas. Não adianta forçar. O importante é sempre seguir. Jamais ficar parado na frente da porta esperando que ela abra. Como diz o dito popular: “A expectativa é como paçoca: ali adiante se esfarela” A vida acontece aos poucos, sim. As coisas demoram? Sim. Mas precisam fluir, como o rio que segue contornando as pedras, ora manso, ora caudaloso. Sempre avante, sempre em movimento. Então, meus amigos queridos, estejam atentos: quando algo não flui, mesmo que desejemos muito… Fiquem espertos, pois pode ser apenas “paçoca”.

Impermanência

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Meus dias têm sido de reconstrução. 2020 chegou chegando, mas não exatamente da forma como eu desejava. Mentalizei um 2020 leve nos meus planos da virada. Mas o que estou vivendo é uma revolução! Como se o lixo que ainda existia em mim tivesse sido varrido por uma onda gigante. Mas a onda passou. O entulho ficou. E, aos poucos, eu estou removendo-o com as próprias mãos. Dia após dia. Simbolica e literalmente. Isso mesmo, meus amigos! Vou contar agora essa história para vocês: logo no começo do ano, enfrentei um acidente doméstico pouco comum: minha casa foi lavada do teto ao chão pelo rompimento da caixa d’água de 1000 litros que havia sobre a laje. Vários objetos foram estragados. Móveis se tornaram lixo, mofo e ruína. Foram 10 dias de chuva no interior da residência. Fiquei sem fornecimento de água e luz durante esse tempo. Foram 10 longos dias de enxurrada, no escuro. E assim como eu, minha casa chorou. Junto com aqueles 1000 litros derramados se foram lembranças, sentimentos, energias que ainda estavam por ali, pairando no ar. Ambientes escolhidos com amor simplesmente sumiram sem deixar sequer vestígios daquela época que já não existe mais. Numa velocidade impressionante, o que antes era um lar se transformou num oco, dando conta da nossa impermanência nessa passagem efêmera chamada vida. Mas a onda passou. Tudo passa! E é chegado o momento de recomeçar! De levantar, de sacudir os mofos de agora e de outrora. E seguir em frente. Com a fé e a coragem que jamais me abandonaram. Com o sentimento de gratidão por ter resistido a tudo sem culpar a Deus e achar a vida injusta. Não, meus queridos! É apenas a mãe suprema, a VIDA, me ensinando a ser resiliente, forte e corajosa. É a mãe que banha seu filho para limpar do que não presta. Então, é chegada a hora de recomeçar. Novos ambientes surgirão do caos, assim como uma nova fase na minha vida virá.  Fins de ciclos são assim mesmo: turbulentos. Não culpe a vida! Simplesmente espere a onda passar. E depois, recomece. Quantas vezes tiver que recomeçar. Porque tudo, simplesmente TUDO, está em constante movimento. Inclusive nós.

De repente… Descompliquei!

cropped-girl-162474_640Encontrei a paz quando decidi cumprir menos papéis sociais. Aos 43 anos, minha energia já não dá prá tudo. Na verdade, nunca deu! Foi então que decidi descomplicar o meu viver, trazendo para os meus dias o máximo de simplicidade que eu puder alcançar. E nessa “vibe”, volto minhas forças para aquilo que realmente faz sentido para mim. Abandonei as festas, os encontros, os agitos. Houve um tempo em que até tentei, mas não adianta: não é da minha natureza a socialização constante. Gosto mesmo é de ter tempo para mim, nem que seja para o ócio. Afinal, o ócio também pode ser criativo, como diz o ilustre professor De Masi. Nos momentos de lazer, reservo tempos de leitura, reflexão e descanso: alívio e nutrição para o cérebro cansado da rotina semanal. E assim vou vivendo! Na simplicidade das coisas e no descomplicar da vida encontro a paz e sou feliz. 🌟

Noite Feliz

girl-4682118_1920Feliz Natal, meus amados leitores! Desejo a todos muita luz no dia de hoje. Que a paz de Cristo esteja com cada um de vocês.

Conforme prometido, estou aqui para contar como foi a minha primeira véspera sozinha, em 44 Natais. Pois bem, todo fim de ano me leva a fazer um balanço do que passou. E reservei o dia 24/12 para isso. Coincidências à parte, preciso confessar que esse está sendo um fim de ano totalmente atípico. Não apenas pela minha decisão de passar o Natal sozinha, mas por alguns fatos que aconteceram nessa última semana que antecedeu às Festas. Como cristã, quero acreditar que Deus realmente toca os sentimentos de todos os seres nessa época do ano. Vejam que coisa boa: recebi mensagens no meu celular com pedidos de perdão de duas pessoas com quem não falava fazia muito tempo. Amigos, nada vem em vão: se essas pessoas vieram até mim, é porque precisavam ouvir que não havia mágoas guardadas. E ouviram. Não há. Realmente não há. Afinal, somos falíveis e precisamos perdoar se quisermos ser perdoados. E como não acolher com amor e perdão os corações sensíveis de quem se abre ao verdadeiro sentido do Natal? Às vezes, o espírito cristão toca de tal modo o coração das gentes… Que é lindo! Ontem, ao saber da minha decisão de ficar só, outros dois amigos me ligaram, me chamando para dividir a mesa. Eu fiquei emocionada com os convites, sobretudo por partirem de pessoas de quem não esperava tamanha consideração. Outros, entraram em contato perguntando se eu estava bem… Se não queria sair…  Caros leitores, me digam agora: como não ficar feliz com tantas demonstrações de afeto ao final de um ano particularmente difícil como foi 2019?! Se eu pedi às estrelas um Natal iluminado, pois digo que o tive. Foram pedidos de perdão, convites para a ceia, convites para sair e muitas mensagens de paz. Só tenho a agradecer por esse final de ano! E se ganhei presentes do Papai Noel? Ora, Ora… Os melhores de todos os tempos: amor, perdão, solidariedade, oração, recolhimento, amizade, transmutação, cura. Como sempre, a vida, de modo muitas vezes irônico, mas com enorme sabedoria, manda todas as respostas, inclusive àquelas perguntas que você ainda nem fez! Então, meus amigos, posso dizer que essa foi uma noite muito especial. E, apesar de toda dureza do ano que se encerra, a lembrança que quero levar em meu coração é simplesmente uma: a de ter vivido uma verdadeira NOITE FELIZ.

A Destralha – parte II

waste-container-599466_1280Há alguns anos fiz uma grande destralha na minha vida. Aluguei uma caçamba de entulhos e joguei dentro dela tudo aquilo que não tinha mais sentido para mim. Foi um exercício grande de desapego. Naquela época, minha vontade era viver um estilo minimalista. Sem perceber, estava, na verdade, sufocada com a vida que levava e os objetos inúteis eram mero reflexo do que se passava internamente comigo. Então doei. Joguei fora. Vendi. E me senti aliviada por algum tempo. É… o simbolismo de uma destralha é imenso! Todo aquele movimento mexeu com o meu íntimo, pois foi o primeiro passo para uma grande guinada. E realmente: depois daquele evento muita coisa na minha vida mudou, seja isso mera coincidência ou jogo ardiloso do destino. Não importa! O fato é que hoje, passado algum tempo de ‘A Destralha – parte I’, não posso dizer que minha vida seguiu sendo a mesma. Está tudo diferente! Foram tempos de revolução, que hoje, felizmente, se assenta. Tal qual os objetos inúteis que trancavam a passagem e se foram, também questões pessoais difíceis que na época tiravam meu sono foram se resolvendo. Mas ainda há o que limpar, tanto na minha casa como nos recônditos da minha alma.  E por esse motivo decidi alugar outra caçamba! Bem menor que a primeira, é verdade! Mas também é verdade que hoje há menos entulhos a remover. A ideia é entrar 2020 de casa arrumada e alma lavada!  Sim, amigos: nova destralha à vista! O simples movimento de jogar tralhas no lixo demonstra o meu desejo íntimo de eliminar o velho e abrir as portas para o novo. Para uma nova fase, uma nova vida! E mais uma vez me pego encerrando um ciclo para na sequência renascer. Por isso, meus amigos, na caçamba eu jogarei papeis, coisas quebradas, o resto do lixo anterior que ainda sobrou… E com esses objetos inservíveis, quero reunir a minha força e atirar  junto todo sentimento que entulha meu espírito. Todo meu lixo emocional, tudo aquilo que ainda intoxica meu coração… tudo será mandado embora junto com os velhos pertences, no ato de destralhar. Nada disso será mais meu! E então estarei pronta para um 2020 leve. Eu ousaria a projetar mais: uma segunda metade da vida leve! Então,  que venha ‘A Destralha – parte II’. Estou pronta! Com coragem e determinação enfrentarei o lixo da minha casa e do meu interior também! E depois, voltarei aqui para contar…

 

 

Luzes das Estrelas

NatalA proximidade do fim do ano traz momentos de maior reflexão. As chamadas FESTAS nos fazem lembrar dos amigos, da família, sentir saudade dos que partiram, fazer planos para o novo ano que virá. Enebriada por esse sentimento, fui fazer, hoje, as primeiras compras para a ceia de Natal. Certamente será a ceia mais estranha dos meus 44 Natais: passarei a noite em casa, completamente sozinha.  Se estou triste? Não, amigos. Estou reflexiva! Afinal, esse foi um ano cheio de altos e baixos, em que enfrentei muitas dificuldades, mas, sobretudo, obtive lindas conquistas. Por estar só, pretendo aproveitar a noite para rezar, fazer um balanço da minha vida e planejar o novo ano que virá. Desejo uma noite verdadeiramente natalina: quero celebrar o amor de Cristo, a paz de espírito e agradecer. Agradecer MUITO. Por tudo que tenho vivido. Das dificuldades, quero extrair as lições. Das conquistas, as comemorações! E para valorizar ainda mais essa noite especial, farei uma bela ceia. Colocarei na mesa a minha melhor toalha e comprarei uma flor esplendorosa para o centro. Farei comidas de Natal e tomarei um espumante sem álcool (nem tudo pode ser perfeito, não é?! rsrs…). Aliás, essa é mais uma novidade que o ano de 2019 me trouxe: bebidas sem álcool, eis-me aqui! É, amigos… Chegou a minha vez de fazer uso das bebidinhas ‘zero’. Mas, para ser sincera, isso não tem a menor importância! Brindarei a vida do mesmo jeito: com ou sem o “brilho” do álcool nos meus drinks. Estou empolgada mesmo é para ver saltar a rolha, pois como dizia meu avô: o estouro é que é legal! Confesso que estou ansiosa pela chegada da véspera.  Será uma noite sem presentes, sem burburinhos, sem crianças. Pela primeira vez na vida não verei o famoso saco do Papai-Noel. Sei que ficou estranha essa história de ‘ver o saco’, mas é a mais pura e literal verdade! Será uma noite silenciosa em meu lar, em que os únicos sons do ambiente serão as canções natalinas que pretendo selecionar com gosto no Spotify… Será, sem dúvidas, uma noite diferente. Uma noite de solitude, mas nunca de solidão. Estarão comigo, em meu coração, todos aqueles que eu amo e quero bem. Pensarei em cada um, sem me importar com a distância e as circunstâncias que nos separam. Estaremos juntos naquele instante, e é apenas isso que importa. Quero fazer da minha noite uma ocasião de luz. Muita luz! Mas não dos tradicionais pisca-piscas. Não dessa vez! Esse ano, meus amigos,  quero ter a luz das estrelas! A luz da esperança, do amor e da fraternidade. É… será um momento e tanto! Uma noite especial. Assim eu desejo! E se o meu Natal ‘solo’ será triste ou maravilhoso… Bem… Vamos esperar para saber. Prometo contar depois. Mas uma coisa é certa: o resultado só dependerá de mim!

Coroa de espinhos

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Hoje foi dia de vacinação da cachorra. A última dose da vira-latas filhote de 4 meses, adotada numa feira, para a alegria do nosso lar. Apesar do amor que eu tenho por ela, preciso reconhecer que está destruindo o meu  jardim, fato que não me agrada nada, nada. Meu lindo canto verde, que guardava diversas espécies de plantinhas cultivadas com devoção, está, agora, mais parecido com um canteiro de obras! Nem o ‘abacaxi de jardim’ restou inteiro… A coroa majestosa e espinhenta da única bromélia frutífera que a mãe natureza nos presenteou foi triturada por dentinhos finos de navalhas. Ora, ora… cortado fica meu coração toda vez que vejo o estrago que ela está fazendo no quintal. Puxa vida! Logo o abacaxi, fruto especial, dual, que me traz à mente tantas boas recordações, mas também saudades doloridas.  Lembranças que alfinetam com doçura. Eu costumava contemplar a exuberância da planta diariamente. Olhava e viajava no tempo da infância, quando eu, ainda menina, comia com a mão pedaços da fruta sentada no muro da casa da praia, junto com meu avô. Quantas emoções  invadiam meu peito diante daquela contemplação. E, de repente, meu olhar saudoso volta-se para o jardim e o que eu vejo são meros fiapos mascados daquilo que um dia foi vivo… Mas minha divagação é interrompida por um salto repentino. Ela, a meliante do quintal, aparece abanando o rabo. Cospe no chão um toco roído de outra planta qualquer e late, faceira! Eu não resisito: abro um alvo sorriso. Não tive como não me alegrar diante de tanta felicidade. E então percebi que não preciso mais daquela coroa de espinhos. Que a doçura do abacaxi não está na planta, agora virada em bagaço, mas sim no sentimento de amor que levo comigo no coração. Não de um, ou de outro. Mas de todos os amores que eu acumulo na vida.  Do amor que um dia eu tive e que se foi, do amor novo que chegou bem depois, do amor que um dia virá… E em meio ao caos dos meus pensamentos,  ela latiu outra vez, me chamando. Então eu fui… Fui brincar. Fui sentir.  Fui me emocionar. Fui viver o amor do momento!

 

Bendito Pássaro

Olá povo lindo! Esta é uma publicação diferente. Com muita animação, divido com vocês a novidade de estar fazendo uma pós-graduação em Escrita Criativa. O texto abaixo é um exercício. Não é uma construção aleatória, fruto de pura inspiração, como costumam ser meus textos. O grande desafio foi juntar vários elementos diferentes e desconexos numa única narrativa. Por essa razão, o texto pode parecer sem conexão em alguns momentos. Mesmo assim, eu decidi publicar a minha evolução aqui no Papo Café Site! Durante um ano e meio os exercícios e textos produzidos na pós serão publicados aqui, sempre com o indicativo de que são oriundos do curso. Ademais, textos “normais” continuarão sendo publicados regularmente.

Essa é a novidade de hoje!

Espero que curtam acompanhar a minha trajetória de amor pela escrita.

Fiquem com Deus e com BENDITO PÁSSARO.

Bendito pássaro

Entrou na farmácia em busca de qualquer coisa que pudesse dar um jeito naquela sujeira toda.

– Justo hoje!

Pensou.

– Maldito pássaro desarranjado! E que mira! Precisava ser na minha camisa branca?

Cristine alcançou o balcão de atendimento com os pensamentos bagunçados. Na sua mente turbada uma única ideia fixa: o pássaro maldito. Mas a voz do balconista a trouxe novamente à Terra:

– O que seria para a senhora?

Imediatamente a resposta saiu da boca de Cristine:

– O que você tem aqui para cocô? Quero dizer… Um pássaro maldito me acertou na manga da camisa, veja! Preciso consertar isso… O que você me sugere? Estou indo a uma entrevista de emprego.

– Olha… por que não tenta esses lenços úmidos aqui? Servem para limpar cocô de bebês. De repente funciona…

Ela aceitou. Afinal, não tinha outra escolha. E nem tempo a perder. Tascou um lenço da embalagem e passou no braço sujo. E o resultado foi um desastre! Agora a camisa branca de Cristine não tinha apenas um ponto, mas um borrão. O desespero bateu e ela encheu os olhos de umidade:

– Ai meu Deus… vou perder a entrevista!

Foi quando avistou sobre o balcão algo que poderia salvar o seu pescoço: uma tesoura. Sem pedir licença, avançou balcão adentro, passou a mão no objeto salvador e cortou as mangas da camisa. O acabamento, ela o fez com dobras no tecido. Mirou-se no espelho da farmácia e sorriu:

– Ficou ótimo!

De tanta euforia, deu um beijo na boca do atendente. Afinal, ainda estava em tempo de chegar onde queria. E, alegre, saiu às pressas, olhando para a rua, atrás de algum táxi.

Os lenços, ela esqueceu de pagar. E por motivos diferentes, o balconista esqueceu de cobrar.

Misturando-se entre pessoas e carros, Cristine foi desaparecendo na rua. O balconista acompanhou seus passos até onde a vista pode alcançar. E, por fim, ela sumiu… E ele lembrou:

– Ih, não cobrei a conta!

Então teve que pagar. Mas nem se importou: pagou aquela dívida com gosto. Com gosto de beijo roubado! E naquele instante um pensamento surgiu em sua mente:

– BENDITO pássaro, isso sim!

E suspirou.

Mas enquanto o balconista suspirava na farmácia, lembrando do beijo de Cristine, ela já estava quase chegando ao local da entrevista. Mal o táxi parou, logo saltou do carro. Praticamente atirou o dinheiro no colo do motorista, falando de modo apressado:

– Pode ficar com o troco!

E, a passos largos, entrou no prédio.

Sentiu-se aliviada e vitoriosa, pois no horário marcado Cristine estava lá:

– Yesssssssss!

Comemorou.

– Eu consegui. Aquele pássaro maldito não me deteve!

Foi quando lembrou:

– Meus Deus, a conta… Eu não paguei os lenços da farmácia… E agora estou recordando: beijei a boca do balconista desconhecido! Minha nossa… Eu sou casada!!! Bem… depois eu voltarei lá, pedirei desculpas e pagarei a dívida. E quanto ao beijo?? Ah, vou fazer de conta que não aconteceu, e ao meu marido jamais contarei esse detalhe…

Os pensamentos de Cristine foram interrompidos pela voz de Sandra, que a chamou para a tão desejada entrevista de emprego:

– Senhora Cristine?

– Sim…

Respondeu com certa tensão na voz

– Vamos por aqui…

E entraram na sala.

– Sente-se, por favor.

Sandra era a chefe do departamento de telemarketing da firma. Cristine, que era muito observadora, rapidamente constatou que estava diante de uma mulher bonita, atraente, de riso aberto e trinta e poucos anos. Mas, apesar de exibir em sua boca de coração aqueles dentes alvos perfeitamente alinhados, havia algo de triste na expressão de Sandra. E, olhando para ela com mais atenção, percebeu uma barriguinha tímida, de recém grávida, muito embora não usasse aliança em nenhuma das mãos:

–  Ah… vai ver não gosta de anéis. Ou será que não pode usar?

Maliciou Cristine em pensamentos.

A entrevista começou. E tudo transcorreu muito bem. O santo de Sandra bateu com o de Cristine. Bateu tão forte que ela foi contratada na mesma hora. Afinal, justificou a futura chefe:

– Preciso treinar alguém com urgência para ficar no meu lugar quando estiver em licença-maternidade.

E sorriu. Um sorriso lindo e triste. Cristine quis comentar mas palavras não saíram de sua boca. Teve certeza que a gravidez de Sandra era apenas dela. Seu íntimo de mulher sentia isso. Diante do silêncio de Cristine, Sandra pousou as mãos sobre a barriguinha e falou:

– Produção independente! Sabe como são essas coisas… O pai não quer assumir.

E, baixinho, completou:

– É que ele é casado!

E piscou um olho.

A reunião das duas terminou.

Cristine foi embora satisfeita. Não via a hora de contar ao esposo a incrível aventura daquele dia. Menos a parte do beijo, é claro!

Voltou para casa de ônibus. Durante o trajeto, divagou sobre o dia recém vivido. Matutou a respeito da ironia da vida, como era estranho pensar que uma mulher linda, de riso aberto, estava para ter um filho de um homem que não era dela, um homem comprometido. E, ela própria, que era devidamente casada no civil e no religioso, com todas as pompas e circunstâncias que a sociedade exige, que vivia um casamento sólido e longo, não tinha filhos. Não que não os quisesse. Deus é que não havia permitido.

– Ainda…

Torcia Cristine.

A única gestação que teve, perdeu antes que pudesse saber o sexo do bebê. Pensou na dor daquela perda, na vontade imensa de ser mãe que havia dentro do seu coração. E nesse instante sentiu inveja de Sandra. Remoeu seu amargor em pensamentos:

– Aquela mulher de riso aberto e sem homem, que guarda agora em seu ventre a flor que eu esperava, a flor azul, a rosa.[1]

Uma ponta de tristeza invadiu seu peito já endurecido ao comparar a sua vida com o pouco que sabia sobre a vida de Sandra. Mas logo espantou dos pensamentos aquela infeliz comparação. Pois ela estava, finalmente, empregada. E era de bom tom que se acertasse com Sandra. Afinal, aquela mulherzinha de dentes escancarados, que mesmo na hora mais obscura desafiava o próprio riso[2], seria, agora, a sua chefe.

[1] Inspirado no Poema: O Teu Riso, de Pablo Neruda.

[2] Inspirado no Poema: O Teu Riso, de Pablo Neruda

É preciso coragem para amar

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O amor é para os corações corajosos. Não pense que é simples, que é fácil, que é romântico! Pois amar requer abnegação, renúncia, aceitação do outro tal qual ele é. O pacote vem completo. Com qualidades e defeitos. Não queira ter posse. Posse é o sentimento oposto ao amor. E, também, não tente ser racional. A racionalidade não sintoniza com os ares do coração. Amar é difícil! É complexo… mas dizem: é transcendental. Aqueles que amam insistem que o amor vale a pena. Eu realmente não sei… mas de uma coisa estou certa: é preciso coragem para abrir-se ao amor. Porque amar requer entrega. TOTAL. Requer que você se dispa das suas vestes mais usuais e mostre sua alma completamente desnuda para outro alguém. Você, sem máscaras ou fantasias. Aquele você que talvez nem a sua mãe conheça! É… a superficialidade pode ser para os fracos, mas o amor… Ah, o amor… esse é para os corajosos. Para aqueles que não temem o ridículo, o clichê. É para aqueles que ousam sonhar o mesmo sonho de outro alguém. Para aqueles que, mesmo inseguros, temerosos de terem os seus corações dilacerados, ainda assim, preferem correr o risco de amar. De entregar-se, por que não, à tão almejada felicidade!
E você, o que acha do amor? Diga aí, sinceramente… Confesse: você tem coragem de se entregar a um grande amor? Ou age na retranca? Divida com a gente! ❤